Estudantes do curso de Engenharia de Produção da UFERSA – Campus Angicos realizaram visitas técnicas ao Núcleo de Pesquisa em Alimentos e Medicamentos (NUPLAM/UFRN) e à Comercial Maranguape, com o objetivo de observar e refletir sobre práticas reais de logística, tecnologia da informação, gestão de operações e inovação aplicada. A experiência permitiu conectar a teoria à prática em dois ambientes distintos — um laboratório farmacêutico universitário e uma distribuidora de grande escala no Nordeste.
![]() |
![]() |
NUPLAM: um laboratório-fábrica singular com desafios e novas fronteiras
O NUPLAM é uma unidade suplementar da UFRN, dedicada à produção de medicamentos sólidos orais, com foco no atendimento ao Sistema Único de Saúde (SUS) (Endereço: Avenida Senador Salgado Filho, 3000 – Lagoa Nova, Natal – RN, 59078-970). É, inclusive, a única fábrica de medicamentos localizada dentro de uma universidade brasileira, e a única desse tipo no Rio Grande do Norte.
|
Algumas características de destaque observadas na visita:
|
|
Em relação a alguns pontos críticos observados (por exemplo, uso de controles manuais em certos setores), durante a visita foi percebido que a equipe do NUPLAM está empenhada em automatizar gradualmente esses processos, promovendo integração digital e mitigando gargalos operacionais.
Do ponto de vista da Engenharia de Produção, essa visita destacou a importância da gestão de estoques enxuta, da logística para cadeia fria (quando aplicável), da rastreabilidade e da aderência a normas regulatórias — tudo isso em um ambiente de alta criticidade.
Comercial Maranguape: eficiência, escala e integração logística
A Comercial Maranguape é uma distribuidora atacadista estabelecida no RN, que tem forte presença no Nordeste e papel relevante para a economia local (Endereço: BR-101, 1700 – quadra D02 – lote 124 km 74 – Jardins, São Gonçalo do Amarante – RN, 59294-390). Durante a visita, os estudantes puderam observar operações logísticas em larga escala, tecnologias de gestão e os desafios de integração da importadora.
![]() |
![]() |
Destaques observados:
- A empresa realiza compras anuais de cerca de 250 TEUs (unidade de contêiner padrão), com importações provenientes de países como China, Índia, Paquistão e República Tcheca.
- O mix de produtos tem como carro-chefe material de construção, que representa entre 60% e 70% da operação.
- O porto prioritário para desembarque importado é o Porto de Suape (PE).
- Os sistemas usados incluem WMS Kaizen, ERP Winthor, GNS (rastreamento), TMS Fusion, e ZUQ Performance para métricas de produtividade.
- A estrutura física conta com três depósitos (D1 para recebimento e grandes volumes, D2 para fracionados e D3 para caixaria), uso de 60 coletores de rádio frequência, 6 empilhadeiras, 12 paleteiras elétricas e 10 paleteiras manuais.
- A frota própria é composta por cerca de 25 veículos.
- A empresa recebe cerca de 300 pedidos por dia e adota o método de inventário rotativo para controle de estoque.
- O tempo de frete marítimo para importações varia entre 45 e 75 dias.
- Em termos de custo, foi relatado que valores de frete marítimo costumam oscilar entre US$1.500 e US$7.000, e que mudanças tarifárias relacionadas à negociações de comércio exterior tem impacto direto na viabilidade logística.
- A meta de expansão incluiu o centro de distribuição visitado com 12.500 m² de área construída e mais de 8.000 m² de pátio de docas e manobras. (Instagram).
Na ótica da Engenharia de Produção e da logística, essa visita evidenciou: planejamento de transporte integrado, roteirização, sistemas de informação logísticos aplicados em larga escala, controle de desempenho por indicadores (como on-time delivery, custo por entrega, níveis de serviço) e a importância de estrutura física e tecnológica alinhada à estratégia de distribuição.
Integração com a formação em Engenharia de Produção
As visitas permitiram aos alunos enxergar diretamente a aplicação de conteúdos estudados em sala de aula, como:
- Gestão da Cadeia de Suprimentos (SCM) em diferentes níveis de complexidade;
- Tecnologia da Informação aplicada à logística e diferenciação entre processos manuais e automatizados;
- Boas práticas de armazenagem, transporte, rastreabilidade e controle ambiental;
- Uso de ferramentas da qualidade para identificação e mitigação de falhas;
- Monitoramento de indicadores de desempenho logístico como OTD (on-time delivery), custo por unidade entregue, entre outros.
Ademais, o contraste entre a escala tecnológica da Comercial Maranguape e os desafios regulatórios do NUPLAM enriqueceu a visão dos alunos sobre os diferentes mundos da indústria e da logística responsável.
Significado institucional e impacto para o estado
Essas duas instituições visitadas — uma com perfil de pesquisa e produção farmacêutica, outra com vasta atuação logística regional — são pilares da economia e da inovação no Rio Grande do Norte. Ao inseri-las na formação dos futuros engenheiros de produção, o curso da UFERSA reforça seu compromisso com inovação, regionalização e desenvolvimento local.
Ressalta-se o valor dessas organizações não só para estudantes, mas também para o ecossistema produtivo local:
- O NUPLAM contribui diretamente para o fortalecimento da cadeia pública de produção de medicamentos, reduzindo a dependência externa e promovendo soberania tecnológica e sanitária.
- A Comercial Maranguape sustenta cadeias de abastecimento de materiais de construção e insumos — estruturas fundamentais para o crescimento urbano e econômico no RN e no Nordeste.
Elaborado pelo monitor Márcio Lima com base nas anotações dos alunos Gustavo Assunção e Maria Eduarda e da professora Marianna Campos. Fontes externas consultadas: https://tribunadonorte.com.br/natal/nuplam-retomara-producao-para-o-sus/ https://nuplam.ufrn.br/noticia.php?id=26648938 https://www.linkedin.com/company/comercial-maranguape/ https://nuplam.ufrn.br/






